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Design thinking é uma ferramenta só para designers?

Entenda seu significado e saiba como aproveitar seus benefícios.


Em nossa rotina, nos deparamos com muitos problemas e, em busca de uma solução, acabamos repetindo alguns erros. Uma cena recorrente da vida de quem trabalha com TI é que ao final de todo o processo de criação de uma ideia, criamos uma solução que acaba não resolvendo o nosso problema, o que resulta num desgaste da equipe e uma perda de tempo, pois se torna recorrente chegar ao ponto de partida para rever e lapidar a ideia até que apareça uma nova solução - isso acaba desmotivando boa parte da equipe. Se você já passou por isso, ou algo parecido, continue lendo este post que vamos mostrar como podemos desenvolver soluções mais profundas, assertivas e inovadoras para o seu negócio.

Existem estudos comparativos entre empresas que usam o Design Thinking e as que não usam: a porcentagem de produtos que obtiveram sucesso são muito baixas nas empresas que não usam. Isso se dá porque quando tentamos resolver um problema acabamos desenvolvendo soluções superficiais que resolvem parte do problema, mas que não atingem com profundidade o usuário e acabam não atendendo às necessidades de forma completa - questão importante quando pensamos como empresa, pois um produto precisa ser pensado como algo além, que englobe mais de um grupo de pessoas -, solucionar um problema individual, acaba sendo um limitante que fará do seu produto algo superficial e facilmente esquecido pelos consumidores.

E aí você leitor me pergunta: existe uma mágica para desenvolver soluções de maneira mais assertiva?’

Minha resposta é: existe! E ela se chama Design Thinking.

A palavra design carrega um mito que tem haver apenas com a parte estética. Na realidade, o termo design veio da inovação e pensamento não padronizado, ‘’fora da caixinha’’. Os designers, geralmente, precisam gerar soluções rápidas, criativas, e inovadoras, o trabalho desses profissionais acaba sendo menos sobre estética e mais sobre planejamento e criação de soluções para necessidades humanas. Dentre os problemas, podem haver assuntos que flertam com o visual, mas não é só isso que tem a ver com design: enxergar como problema tudo aquilo que prejudica a experiência emocional, cognitiva e visual é pensar de maneira sistêmica para projetar soluções. Ou seja, aquele mito muito difundido no meio de TI de que apenas os designers ou UX designers usam o Design Thinking, cai por terra quando você enxerga os objetivos em comum acerca do negócio. A ideia é entender que essa técnica é uma ferramenta estratégica para empresas e negócios pensarem em soluções concretas, viáveis e entender que as soluções do Design Thinking tendem ao sucesso. Mas como isso acontece?

O processo do Design Thinking envolve um conjunto de métodos e processos, que começa na identificação e levantamento sobre informações do problema, entender seu contexto, sugerir e experimentar propostas de ideias e, por fim, gerar soluções e testá-las. Dessa forma, busca-se formular questionamentos através da compreensão profunda dos fenômenos que deram início a todo o processo. Temos alguns aspectos importantes para se fazer o Design Thinking, por exemplo: ter uma equipe multidisciplinar, já que quanto mais pontos de vista diferentes, melhor a elaboração de propostas de soluções cada vez mais diversificadas.

Vou dividi-los em 3 etapas. Vale lembrar que algumas pessoas esmiúçam as etapas com mais riqueza de detalhes, mas aqui no post vou resumir de maneira mais objetiva e explicá-los para você ficar à vontade para usar a metodologia em seus próximos projetos, da maneira que couber melhor para a sua equipe:


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1ª Fase - Empatia: imersão, descobrir a origem e Interpretar o problema.

Descobrir mais sobre o problema, estudá-lo, contextualizá-lo, saber quem são as pessoas mais atingidas, que consequentemente mais são afetadas, e quais são os sentimentos vividos por essas pessoas. Tudo isso está relacionado a entender seu usuário, que é para quem você está construindo uma solução. Tudo isso cabe na primeira categoria: a empatia. Ela se tornou um dos conceitos mais importantes quando se cria um produto, pois nem sempre nós seremos usuário do objeto que criamos, nossas necessidades não são as mesmas de outras pessoas, portanto, devemos investigar e entender tudo que envolve o usuário, pois só assim teremos sucesso em projetar algo que de fato será útil e indispensável a eles.

Um pensamento muito útil na hora de ser empático com o nosso usuário é vê-los como co-criadores da solução e não só como objetos de estudo. Como fazer isso? Preocupando-nos com ele e com as suas necessidades, humanizando as relações cliente empresa, usuário e desenvolvedor. Para ter uma visão completa dos problemas dos usuários, é preciso se atentar a vários fatores da vida de uma pessoa, são eles: cultura, contexto de vida, experiências pessoais, e tudo que o rodeia e assim define o que são problemas e dores do usuário. Ao fazer essas observações conseguimos enxergar com mais facilidade, causas e consequência desses problemas, e assim achar a melhor solução.

2ª Fase - Idealização: ideação ou o brainstorming das ideias 

Com a colaboração de uma equipe multidisciplinar, com variedades de perfis entre as pessoas, os insights acabam sendo um diferencial na metodologia, pois aparecem ideias ricas, plurais e abrangentes, dentro disso falamos sobre a ferramenta brainstorming: essencial para ter ideias inovadoras, pois através dela que podemos ter diferentes ideias sem nos preocuparmos tanto com o julgamento. ‘’Pensar fora da caixa’’ é uma lei nesta parte do processo e é aqui o ponto chave que podemos tirar as ideias similares de todos da equipe, combinar e confrontar ideias, chegando ao consenso para que alcancemos os objetivos viáveis e que atendam o problema de maneira sólida.

3ª Fase - Prototipação: validação de ideias, decisão e testes.

Após selecionadas as ideias com a equipe é hora de testá-las com os protótipos. Com eles temos um produto que mesmo não desenvolvido, tem o papel de representar a realidade fazendo algo abstrato se tornar físico. Sendo possível o teste com o usuário final, isso proporciona a validação: aqui conseguimos identificar se a solução é algo que as pessoas se identificam e querem usar, assim como entender ajustes necessários e sugestões desses usuários, que como já citado, são nossos co-criadores.

Os protótipos acabam sendo muito relacionados à ideia de fase final e, na maioria das vezes, usamos mesmo nesta fase. Porém nada proíbe de usarmos essa ferramenta em paralelo as outras fases do processo, pois o protótipo nada mais é que o teste de validação da ideia, ou seja, podemos fazer uso dele quando sentir necessidade de algo mais concreto e visual.

Conclusão

O Design thinking é uma metodologia que funciona como ferramenta para resolver problemas, resultando em soluções inovadoras não tão óbvias, mas assertivas. O que diferencia o Design Thinking de outras metodologias ágeis é ter como foco o ser humano no centro de todo o processo, o que resulta em agregar valor ao negócio. Resumidamente o Design Thinking é a forma de pensar mais ágil, lúdica, criativa e empática. A intenção dela é não perder tempo, pensar fora da caixa e focar nas soluções tangíveis sempre com o usuário final em mente.

Por Mariane Moreira

Formada em Artes Visuais, trabalha com UX e UI desenvolvendo interfaces digitais e dinâmicas de design. Criativa e empolgada com o lado visual das coisas, vive em busca constante de uma vida com mais empatia!

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